Direito de Brincar

O direito de brincar é essencial na vida de toda criança. As crianças e as/os adolescentes não devem ter responsabilidades de adultos: cuidar de casa, cozinhar, lavar roupas, cuidar dos irmãos, deixar de ir para a escola por tarefas de casa. As crianças também têm responsabilidades, como focar nos estudos e auxiliar em casa, mas essas tarefas não podem afetar o seu direito de brincar e de viver a sua infância.

A infância e as brincadeiras que fazemos nela vão fi- car em nossas memórias depois. Temos que passar por essas experiências para compartilhar com as novas gerações, para que elas possam aprender conosco. Por exemplo, se você tiver uma filha ou um filho e ela/e perguntar: “Como foi a sua infância? Do que você brincava?”, como você responderia se tivesse trabalhado a infância inteira?

O trabalho infantil é o principal problema da vida de muitas crianças e prejudica o direito de brincar. Seja por dificuldades financeiras, separação familiar, perda da mãe ou do pai, falta de creche para crian- ças pequenas, que acabam ficando sob a responsabilidade dos irmãos maiores, ou por doença da mãe, do pai ou do responsável, nada justifica que crianças deixem de brincar para trabalhar.

É necessário que outros direitos sejam garantidos, para que a falta deles não acabe levando ao trabalho infantil. É preciso haver creches públicas, empregos para as mães e os pais e postos de saúde para dar atendimento digno a quem adoecer.

Também é necessário haver estrutura na cidade para garantir que todos, com suas diferenças, possam ter acesso aos diferentes espaços.

Dia do Brincar no Quilombo Mesquista. Foto: Webert da Cruz

Por exemplo, no caso do nosso colega Lucídio, seu direito de brincar foi prejudicado no período em que ele usava cadeira de rodas, pela falta de acessibilidade na cidade. Os buracos nas ruas do bairro, a falta de rampas e de ônibus acessíveis a cadeirantes o impediram de sair, conviver e aproveitar uma parte da infância, o que não teria ocorrido se a cidade fosse bem estruturada.

O mesmo vale para a questão das praças, das quadras de esportes e dos bosques: precisamos de espaços públicos e coletivos para garantir o direito à brincadeira e à diversão, porque sem espaço não temos como aproveitar os momentos de lazer.

O direito de brincar é tão importante quanto qualquer outro direito, e precisamos dele para que possamos desenvolver e melhorar a nossa criatividade e nossa capacidade de relacionamento com outras pessoas. Todos (crianças, adolescentes e adultos) têm o direito de brincar.

 

“No Edith tem várias brincadeiras,

Uma melhor que a outra, pode ter certeza.

Pique-bandeirinha e pique-esconde são uma beleza.

Mas ficar sem brincar é uma tristeza.

Três cortes, queimada e futebol precisam de bola.

Bolinha de gude ou biloca lá também se joga.

A poeira está de lascar, Precisamos de asfalto para a gente andar. Precisamos de praças e quadras para nos divertir.

Se tivermos estrutura, garantimos o futuro que vem por aí.

Muitas crianças não podem brincar,

Porque têm o dever de trabalhar.

Se as leis forem cumpridas,

Nossa vida será mais colorida”.

 

Por Lucídio Fernandes da Silva Filho (15 anos), Eduardo Alves Sousa (14 anos), Flávio Ferreira de Carvalho (13 anos), Guilherme Ferreira de Carvalho (15 anos) e Carlos Pereira Barros (15 anos)

ilustração: feita pelos autores

Fonte: publicado em DIREITOS EM MOVIMENTO na revista [email protected] 2016